Três em cada dez brasileiros vivem um ano com mais chances de ter dinheiro sobrando no fim do mês e têm mais capacidade para lidar com imprevistos financeiros. Mais de 48% dizem saber como se controlar para não gastar muito. Esses são alguns traços do retrato que indicam que a saúde financeira no país atingiu a maior média geral nos últimos três anos.
Conforme a mais recente rodada da pesquisa que mede o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB), elaborado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em cooperação técnica com o Banco Central (BC), a saúde financeira dos brasileiros atingiu 56,7 pontos de um total de 100, ficando só atrás de 2020, quando o índice atingiu 57,2 pontos.
O I-SFB classifica a saúde financeira das pessoas de acordo com a pontuação em uma das sete faixas (ou níveis) de saúde financeira: Ótima, Muito Boa, Ok, Baixa, Muito Baixa e Ruim.
Nesta rodada da pesquisa, realizada entre maio e julho, houve ingresso de 1 ponto percentual (p.p) no total de pessoas nas faixas “Ótima”, “Muito Boa”, “Boa” e “Ok”, o que lhes permite vivenciar uma maior segurança financeira e multiplicar suas perspectivas futuras. Para 58,6% dos respondentes sobra algum dinheiro com alguma frequência, avanço de 1,3 ponto percentual em relação a 2023. São pessoas que saíram das faixas Baixa, Muito Baixa e Ruim, onde estão pessoas cuja situação financeira é de desequilíbrio e alto estresse financeiro.
Na medição, feita com cinco mil respondentes com idade superior a 18 anos e com ou sem relacionamento com o Sistema Financeiro Nacional, em todas as regiões do país, menos pessoas disseram ter dificuldade para pagar contas (2.2 p.p em relação a 2023).
Distribuição dos brasileiros pesquisados por nível de I-SFB:
– 8,1% – Ótima: Vida financeira sem estresse. Finanças proporcionam segurança e liberdade financeira.
– 19,2% – Muito boa: Domínio do dia a dia, mas precisa dar o salto do patrimônio.
– 14,3% – Boa: Básico bem-feito.
– 10,1% – Ok: Equilíbrio financeiro no limite – com pouco espaço para erro.
– 15,6% – Baixa: Primeiros sinais de desequilíbrio e risco de entrar em alto estresse financeiro.
– 21,1% – Muito baixa: Risco de atingir uma situação crítica.
– 11,6% – Ruim: Círculo de fragilidade, estresse e desorganização financeira.
No total, 62% declaram saber organizar as suas contas e apenas 13% dizem o contrário.
“Embora nos níveis mais altos de saúde financeira haja uma presença relevante de classes altas, em todos eles, mesmo nos mais baixos, encontram-se representantes de todas as classes econômicas. Assim, não é possível dizer que níveis baixos de saúde financeira correspondem a níveis socioeconômicos mais baixos e vice-versa. Pode-se concluir que existem oportunidades e benefícios na promoção da educação financeira para todos – independentemente de classe social, faixa etária ou qualquer outra variável socioeconômica”, destaca o relatório.
Na avaliação de Amaury Oliva, diretor executivo de Cidadania Financeira, Autorregulação e Relações com o Consumidor da Febraban, o atual cenário traz uma perspectiva otimista sobre as finanças dos brasileiros.
Entre alguns desafios que ainda precisam ser superados, de acordo com a pesquisa, apenas 32,4% dos entrevistados acreditam que dariam conta de uma grande despesa inesperada, o mesmo percentual de 2023. E 34,5% dos entrevistados dizem que a maneira como cuidam do dinheiro lhes permite aproveitar melhor a vida (avanço de 0,5 ponto percentual em um ano).